Portas e painéis que se integram numa divisão, onde a sua presença é natural.

Uma porta que sobe até ao teto deixa de ser um objeto ao meio da divisão.
Uma porta por medida deixa de ser um elemento avulso. Pode subir até ao teto, dispensar aro à vista, alinhar com o revestimento em volta e abrir sem puxador — e nesse momento a divisão ganha uma parede inteira em vez de um objeto ao meio dela.
Os painéis seguem a mesma lógica. Em vez de acumular móveis contra uma parede, resolve-se a parede toda: televisor embutido, arrumação escondida, passagem de cabos prevista, tomadas integradas na própria peça.
É um trabalho de composição. A grelha do painel, a proporção entre módulos, o sítio onde a fresagem aparece e o sítio onde a superfície fica lisa determinam se a peça se lê como marcenaria desenhada ou como um conjunto de portas iguais.
São estas escolhas — e não o acabamento final — que determinam como a peça se vai comportar todos os dias.
O aro à vista assume a porta como elemento. O aro embutido faz a porta desaparecer no plano da parede — e obriga a um trabalho mais exigente de montagem.
Módulos iguais leem-se como armário. Módulos de proporções diferentes leem-se como composição desenhada para aquela parede.
Televisor, equipamento, cabos, tomadas e arrumação. Cada elemento a esconder tem de estar no desenho antes do corte.
O relevo deve aparecer onde a luz da divisão o revela e recuar onde a superfície precisa de ficar calma.